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Convívio Ribeirinho: Praia do Recanto da Aldeia

Convívio Ribeirinho: Praia do Recanto da Aldeia
Ilha de Santana - Amapá - Rio Amazonas

Convívio Ribeirinho: Praia do Recanto da Aldeia

Convívio Ribeirinho: Praia do Recanto da Aldeia
Santana - Amapá - Rio Amazonas
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domingo, 27 de junho de 2010

ADAGIOMENTÁRIO

Congruência de desespero
Até se acoita no alagado,
Fazendo aos Tucujús
Dali, de vez, se afugentar,
Enquanto o manati,
Aos poucos,
Vai-se, desaparecendo,
As mãos, dos que só querem,
A carne e o couro pra vender.
Pensando ao desconforto,
Despontam a beira da lagoa,
Onde filham-se palhoças,
Destas, negras, debandadas,
Por sobre outros resquícios,
Que sobreviveram, será?
Das belas tucujutabas,
Que antes do homem branco
Espalhavam-se e cresciam por ali,
Vivendo a sol e lua, tais felizes,
Com status de serem muito ricos,
Pois eram donos, de tudo, do Amapá.
Caça em abundância, ali pastavam,
Ao rio a pesca farta, tudo, ao léu,
As antas enribeiradas e preguiçosas,
Aos bandos se esgueiravam por ali,
E os acutis se encontram pra comer,
A sombra do tucumã e da bacaba,
Cheirosos, que de maduro caem,
Ai... Que dó!
Nem estou ali para aproveitar!
Distante da cidade e da senzala,
Ao vento corre o negro emancipado,
Que burla qualquer regra na fujança
E busca entre as dores das passadas
A liberdade ao céu do Goiabal.

AMBIENTE DA SOFIA

DESCRITO

Pensamentos de liberdade,
Planos de fugir para lá,
Aqui nego pena no tronco
E nega todos querem estuprar,
O açoite tão vil do feitor
Faz toda negada chorar,
Enquanto no chão da senzala
Mil preces se ouvem rogar.

Perdoa senhor este povo,
Que escravizou-nos aqui
E ouça minhas orações,
Onde só liberdade eu pedi,
A minha nação é estrangeira,
Vivo aqui nesta terra sem fim,
Onde os filhos já nascem escravos
Nas mãos desta gente ruim.

Quem fugiu para o quilombo cantou,
Liberdade até que enfim me chegou,
A capoeira no terreiro esquentou,
Ó Curiaú, que sempre me esperou!

DEMANDA

Sentimentos raros exalam
De um coração solitário,
Em busca de energias caras,
Num mundo que já desconhece.
Partidos fúteis
Atraem um povo escravizado,
Que chora com a dor do domínio,
Vivendo sob a narcose da lábia,
Que o cega,
Para não lutar por seus ideais.

Sementes férteis brotam
De um orgasmo roubado,
Que a fome não notou,
Nem sei por que também não matou,
E assim continuam nascendo
Escondidas pelas noites,
Para peregrinarem pela terra,
Se não perecem em combate,
Vão entulhando as praças,
Deitados pelas calçadas,
Ou vadiando pelas avenidas,
Como um exemplo puro,
De um governo seguro
De sua grande incapacidade.

ESTRELAS

Dançam bailarinas a enormes passos,
Num tão negro palco que se viu,
Com a delicadeza de mil deusas,
Brotam, feito o amor que se ouviu,
Surgem repentinas a olhos vistos,
Plantam vaidade a quem as vê,
Crescem à infinidade a cada olhar,
Benção de bailado é um esplendor,
Compará-las, nem se existem iguais,
Neste universo que as gerou.

ESPELHO

Depressa a noite cai lá fora,
Lembranças, um sonho traz de ti,
No bom sonhar chorar saudades,
Poder amar-te é paz demais,
Rebeldes brisas de meus prantos,
Saber-te longe ao lado meu,
Deitar-te ao colo em pensamento
E, me sentir nos braços teus.

Momentos de prazer soberbos,
Marcantes sabem vão ficar,
Prelúdio então ficar comigo,
Ser caso até me faz pecar,
De amores muito mais gostosos,
De namorico, amar é bom demais!